Você apareceu nos meus sonhos. Citava alguns versos tristes e mudos, mas ainda assim, versos. Quase não o reconheci, também. Culpa dos olhos. Grandes caleidoscópios que acabaram por tomar o lugar do castanho habitual.
Eu tentei te escutar, atenta, como se a ausência de som não fosse empecilho para tanto. Eu gosto do silêncio. Você sabe.
Falou-me da Lua. A Lua. E do quanto estrelas não gostam de noites frias de junho. Pontos luminosos, deixou por assim chamar. Pontos luminosos não gostam de noites frias de junho.
Era simples. Inconcebível, até tal ponto. E posso dizer que aproveitei todas as minhas preocupações, porque ali, elas não existiam. Era tempo de livrar-se dos filtros, nadar contra a correnteza. Não foi fácil.
Nos espremíamos para caber nas entrelinhas, e estas, não nos pertenciam. Entrelinhas asfixiam, são perigosas.
Eu vi os caleidoscópios perderem os tons, as cores. Séculos passaram por nós dois, sem licença alguma. Cada pedaço inacabado meu quer tentar fazer sentido pra você. Te remonto, mais algumas vezes, girando mais do que qualquer coisa que gira bastante. Os grandes caleidoscópios parando, perdendo novamente a cor, tomando forma. Eu quis entender o que eles queriam dizer. Girando e girando. Quis pedir para deixarem recado, escreverem um bilhete, mas teus olhos não eram mais os mesmos.
A chuva passou. Os séculos, também. Era tarde demais. Acordei um pouco tonta, entre um tropeço e outro, tentando encontrar algum sinal das cores dos teus olhos por ali.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Sobre textos em branco.
Eu tô tentando dar um jeito de não falar sozinha. Essa é a real função dos blogs, acho.
Mas anda foda. Difícil com, ou sem temas. O meu cérebro trabalhava melhor durante aquelas madrugadas de Hey Arnold e Space Ghost. O Zorak me entenderia. Ele é o único, já que o meu caráter acabou sendo construído por meio das falas e bordoadas daquele inseto verde e gigantesco tão cheio de sarcasmo. Não sou sarcástica. Aliás, por que ele é daquele tamanho?
Isso poderia ser sobre Miami Vice e os ternos roxos que eles usavam. Porra, eu sairia com o Amie Foxxx. Ele sim.
Poderia ser sobre o quanto o Steven Seagal odeia meliantes. Queria que isso fosse sobre o sorriso do Mark Hamill e a quantidade de adornos que eu colocaria nele. Por que o tempo precisa passar para essas pessoas? Por que a Molly Ringwald precisou engordar e ficar velha? Porra, então, o Jake de Gatinhas e Gatões teria papada, se realmente existisse?
Isso aqui poderia ser uma tese sobre a pancada de filmes que o Hughes faria se ainda estivesse vivo e sobre o quanto odeio parecer repetitiva com os meus textos.
Queria que vocês parassem de me olhar torto quando digo que acho o Morrison um chato. Que todas as garotas parassem de fingir que gostam de quadrinhos, quando na verdade, não sabem dizer sequer um episódio de Star Wars. Quando foi que isso ficou assim? E por que os caras preferem as vadias? Como essa cadeira veio parar aqui? Isso não é problema meu.
Queria ter nascido o Ney Matogrosso, só que heterossexual. Porra, eu queria ter temas. Queria o Ozzy ganhando um Nobel e fazendo algum cover dos Beach Boys.
Eu não sei. A vontade de escrever era grande. Descartem isso.
Mas anda foda. Difícil com, ou sem temas. O meu cérebro trabalhava melhor durante aquelas madrugadas de Hey Arnold e Space Ghost. O Zorak me entenderia. Ele é o único, já que o meu caráter acabou sendo construído por meio das falas e bordoadas daquele inseto verde e gigantesco tão cheio de sarcasmo. Não sou sarcástica. Aliás, por que ele é daquele tamanho?
Isso poderia ser sobre Miami Vice e os ternos roxos que eles usavam. Porra, eu sairia com o Amie Foxxx. Ele sim.
Poderia ser sobre o quanto o Steven Seagal odeia meliantes. Queria que isso fosse sobre o sorriso do Mark Hamill e a quantidade de adornos que eu colocaria nele. Por que o tempo precisa passar para essas pessoas? Por que a Molly Ringwald precisou engordar e ficar velha? Porra, então, o Jake de Gatinhas e Gatões teria papada, se realmente existisse?
Isso aqui poderia ser uma tese sobre a pancada de filmes que o Hughes faria se ainda estivesse vivo e sobre o quanto odeio parecer repetitiva com os meus textos.
Queria que vocês parassem de me olhar torto quando digo que acho o Morrison um chato. Que todas as garotas parassem de fingir que gostam de quadrinhos, quando na verdade, não sabem dizer sequer um episódio de Star Wars. Quando foi que isso ficou assim? E por que os caras preferem as vadias? Como essa cadeira veio parar aqui? Isso não é problema meu.
Queria ter nascido o Ney Matogrosso, só que heterossexual. Porra, eu queria ter temas. Queria o Ozzy ganhando um Nobel e fazendo algum cover dos Beach Boys.
Eu não sei. A vontade de escrever era grande. Descartem isso.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Dá teu riso pra mim
Eu gosto de um menino
Que fala bonito
Tão bonito
Que me deixa assim
Sem palavras
Miúda
e calada.
Eu faço versinhos
Pra ele
E canto corinhos
Que o guri nem nota
Sempre vai embora
E me deixa só
Por minha conta.
Queria te dizer
Menino dos olhos
Que eu escrevi as iniciais tuas
No muro da minha casa
E na agenda
Pra dar sorte.
Desculpa o mau jeito
Mas teu sorriso
É tão bonito
Fico na espera
De um riso
Destinado a mim
E mais ninguém.
Que fala bonito
Tão bonito
Que me deixa assim
Sem palavras
Miúda
e calada.
Eu faço versinhos
Pra ele
E canto corinhos
Que o guri nem nota
Sempre vai embora
E me deixa só
Por minha conta.
Queria te dizer
Menino dos olhos
Que eu escrevi as iniciais tuas
No muro da minha casa
E na agenda
Pra dar sorte.
Desculpa o mau jeito
Mas teu sorriso
É tão bonito
Fico na espera
De um riso
Destinado a mim
E mais ninguém.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Da beleza egoísta
É muito simples, na verdade: eu gosto tanto de tanta coisa. Essa paixão funda que chega e preenche cada cantinho, me agrada demais. O meu peito gosta muito.
Eu somo os pedaços e divido, pra não me dividir. Eu, que tô egoísta, escrevendo tanto em primeira pessoa, desaprendi a brincar de narrativas com sujeitos e pretéritos que não me pertencem. Os outros são café com leite.
Tô me descobrindo devagarinho, narrando a minha vida pela primeira vez nesse tabuleiro de experiências tão próprias e falantes dentro do meu eu.
Sou lunática comigo mesma, louca com os meus botões e até jogar damas com a minha nobre pessoa – quem diria! – é um passatempo precioso.
Não enlouqueci, de forma alguma, mas parece-me que quanto mais lúcida a pessoa for, mais solitária e triste ela será.
Eu disse. Tô egoísta.
Mas me basta colocar os fones de ouvido e andar por aí que o altruísmo e a vontade de escrever sobre as minhas paixonites cotidianas reaparecem. Meus amores lindos, que vão desde as tangerinas mudas da quitanda em suas cores vibrantes até ao velhinho da Livraria da Vila e as ruguinhas de felicidade das crianças do orfanato aqui da esquina. Dentre os meus mil romances e melindres.
O meu coração que é mole demais. Deixo assim, pra me descobrir depois.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Só pra lembrar.
E então eu pedi. Eu pedi pra que todas as palavras, todos os hinos, valsas, duetos e poemas que conheço, já li e ouvi, estivessem bem ali, comigo. Eu implorei pelo resto de inspiração esquecida no fim do meu túnel de desespero. E tenho feito isso há um tempo.
Com notinhas de rodapé.
Com notinhas de rodapé.
sábado, 26 de novembro de 2011
Sobre formigueiro, madrugadas e destruição em massa
Gabriel diz:
Sempre que eu mato uma formiga...
Eu me imagino na pele dela.
Com consciência de tudo o que ocorre.
Uma vez, eu tava preparando pão.
Aqui em casa, a gente tem uma mania particular.
De como se fazer pão, pro café da manhã.
Usamos o fogão, o fogo, mesmo.
Aí fui acender a boca do fogão.
E tinha uma formiga andando nela.
No centro.
Longe das chamas.
Acendi.
E fiquei imaginando...
TU TÁ LÁ DE BOA DANDO UM ROLÊ PROCURANDO COMIDA AÍ TU SOBE NUMA ROCHA E DO NADA CHAMAS FOGO EM TUA VOLTA
E, claro, não pude deixar de soltar um...
"Hello, Formiga... I WANNA PLAY A GAME"
sábado, 12 de novembro de 2011
Eu também quero beber
Sonhei que tomava da mesma água que Tosltói e Alan Moore. Eu, uma garota de pernas tortas e óculos com armação engraçada, na mesma mesa que os caras mais improváveis do mundo.
Os dois bebiam em uma mesa de bar imunda, na esquina da minha escola.
– Venha, filha – pigarreou um deles. Não me recordo qual.
Flutuei até eles.
– Você é crítica. A crítica está com você. Nós três somos iguais.
E dizendo isso, os dois cuspiram no chão e sumiram.
Eu acho que foi o efeito de ler Watchmen antes de ir dormir, não sei. Mas, no fundo, eles têm total razão. Eu sou mesmo crítica e tenho como total objetivo achar os defeitos e vestígios de bosta em grande parte das pessoas. E eu gosto disso.
Daí que seguir em frente pra deixar de bater no prego da sociedade com o meu martelo de moralismo não me pareceu ser uma boa ideia. E se isso, o meu senso tão crítico, acabar? O que vai restar, além de caixas de papelão e a falsa aceitação? Se isto aí for embora, significa que eu vou sonhar com a Clarice Lispector vestida de fada dizendo para eu deixar de ser tão tola e voltar a ser uma vaca?
Não vou querer descobrir.
Mentira. Se ela pagar a conta, tudo bem.
Os dois bebiam em uma mesa de bar imunda, na esquina da minha escola.
– Venha, filha – pigarreou um deles. Não me recordo qual.
Flutuei até eles.
– Você é crítica. A crítica está com você. Nós três somos iguais.
E dizendo isso, os dois cuspiram no chão e sumiram.
Eu acho que foi o efeito de ler Watchmen antes de ir dormir, não sei. Mas, no fundo, eles têm total razão. Eu sou mesmo crítica e tenho como total objetivo achar os defeitos e vestígios de bosta em grande parte das pessoas. E eu gosto disso.
Daí que seguir em frente pra deixar de bater no prego da sociedade com o meu martelo de moralismo não me pareceu ser uma boa ideia. E se isso, o meu senso tão crítico, acabar? O que vai restar, além de caixas de papelão e a falsa aceitação? Se isto aí for embora, significa que eu vou sonhar com a Clarice Lispector vestida de fada dizendo para eu deixar de ser tão tola e voltar a ser uma vaca?
Não vou querer descobrir.
Mentira. Se ela pagar a conta, tudo bem.
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