segunda-feira, 28 de março de 2011

Patifarias expostas e vividas



Às vezes eu acho que a minha vida virou do avesso, e que alguém veio e simplesmente alinhavou umas vinte vezes para ela nunca mais sair do lugar. Eu sei que isso parece papo de gente mal amada, que precisa de um belo esporro para parar de reclamar, levantar a bunda do lugar e ir fazer algo em relação a isso.

Mas me deixem terminar.

Voltando ao ponto: não que muita coisa tenha mudado – aliás, acho que o problema vem daí.
Ainda gosto de deitar na minha cama e puxar os fios soltos das costuras do meu edredom, dando nome a cada um deles – me chamem de estranha, mas a minha mãe odeia esse meu hábito tanto quanto ela odeia precisar comprar um edredom novo a cada três meses, e eu sei que nunca vou parar com isso. É mais forte que eu.
Ainda continuo fazendo listas inúteis e travando conversas imaginárias comigo mesma.

- Lohaine, tudo bem aí?
- Difícil.
- É, eu sei.
- Sabe? Como você sabe?
- Eu sou você, oras.

É só que eu me toquei que agora tá valendo. Agora é pra valer.
Esse negócio, essa coisa de viver. Agora é de verdade – você mudando, ou não vai acabar acontecendo. E de vez em quando me dá preguiça só de pensar que isso tá só no começo.
Sabe, é que chega uma hora que inevitavelmente a gente se liga e percebe que pronto, tá para ser, não dá pra voltar atrás.
Não dá pra fazer nada em relação a isso, por mais que achem que não é bem assim, que dá pra parar o tempo, gritar, espernear, puxar ele pelos cabelos e pedir para ficar.
Porque ainda assim, a vida vai escorrer, vai correr por entre os pedaços de você, fazendo graça, dando adeus enquanto segue cantando alguma música.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Destinatário: nosso primeiro beijo



Beijo,
Você aconteceu de uma forma totalmente inusitada. Você é único, o primeiro.
Não o primeiro da minha vida. Antes de você, alguns outros acabaram acontecendo.  Preciso dizer que estes – Os Alguns – não tiveram tanta importância assim. Não a mesma que você. Falando sério.

Não sei se foi o gosto de cerveja e tabaco, mas alguma coisa te tornou especial. Como se você já não soubesse. Na verdade, tem muito a ver com a forma inesperada em que os nossos lábios se encontraram tão repentinamente. Os meus e o dele. Os dois tão confusos.
Mas ainda assim, você aconteceu.

E as minhas pernas viraram gelatina, fraquejaram. Meu coração parecia não ter espaço para bater dentro do peito. Arrebentava cada ventrículo e cavidade – e por um breve instante até pensei que teria uma taquicardia, ou que cairia dura. Não seria novidade. Não pra mim. Não mesmo.
Mas acho que a felicidade não deixou que isso acontecesse.

E a forma como as mãos dele foram parar nas pontas das mechas do meu cabelo, as bagunçando, também. Eu nem sei por que estou escrevendo isso, na verdade. Acho que é só para você saber, pela enésima vez, que eu nunca vou ter outro desses, outro de você.

Essa menina arrogante e estranha conseguiu finalmente entender o significado de todas aquelas narrativas sobre os tais beijos, todas aquelas cenas apaixonadas de filmes dos anos 50 onde você estava sempre presente: as garotas costumavam levantar a perna direita e passar os braços pelas costas do amado, e este, apenas retribuía a abraçando com carinho e ternura. Como se ela fosse uma peça de vidro. Tão frágil.

E depois, os casais sempre se olham e sorriem satisfeitos, com a música e os créditos subindo pela tela, anunciando o fim e o famoso “felizes para sempre’’. Confesso, que antes de você, tudo isso me parecia total balela. Tão inexistente. Todas aquelas matérias que minhas primas e amigas liam na pré adolescência, e os treinos com a maçã e o gelo… desnecessário comentar isso aqui.
E o fôlego faltou, e no fim, fim de você, eu jurei que escreveria algo sobre isso.
Algo sobre o quanto eu me senti a maior boba do mundo e depois fiquei horas dançando e gritando de felicidade com as minhas amigas, por ter conseguido sentir borboletas elétricas no estômago.

Cheguei em casa na manhã seguinte fora de mim, tão feliz, tão outra. Só não beijei os vizinhos, carteiro e minha mãe, porque daí minha loucura seria comprovada.
Mas você me fez – e ainda me faz – feliz até hoje.
E na verdade, não posso mentir para você, mas esse efeito tão seu ainda se faz presente quando nós dois estamos juntos.
Minhas pernas ainda fraquejam.
Ah se fraquejam.
E eu me sinto meio retardada.
Mas primeiro dos nossos – meu e dele, ele – só você.

domingo, 6 de fevereiro de 2011



Herói, não é fácil te ter longe. Você se foi muito cedo. A vida foi egoísta e só me deu um pouco de você, e tão de repente te tirou de mim. Mas eu precisava – e ainda preciso – de ti.
Sabe vô, não tem sido fácil pra ninguém aqui de casa. Principalmente pra mim. Eu perdi o cara da minha vida, o meu chão.

Eu sinto falta da sua mania de me mimar e dizer que eu era sua reclamona. Das suas brigas com a minha mãe só por causa dos doces que sempre me trazia, de você indo me buscar na escola, ou das vezes em que levava eu e o Marcelo lá pra feira da Calixto para mostrar pra gente o valor das coisas, mesmo que antigas.

Acho que foi daí que tirei o meu gosto por tudo o que é velho. Muita coisa me lembra você. Elvis me lembra teu jeito despreocupado. Mar. O Marcelo. Passarinhos. Tom Jobim. Relógios. Sorrisos largos. As coisas da vó. As minhas bonecas e chimarrão.

Quando você descobriu que estava doente, eu pensei que era só gripe, que ia passar. Você ficou magro, tão fraco. Justo você, que sempre foi tão forte. Fiquei sabendo que a coisa toda era mais grave quando o seu cabelo todo caiu e quando a vó voltou do hospital com aquela história de que ficaria lá com você por um tempo.

Muito tratamento, muito remédio.

E ainda assim, eu ia te visitar, conversar sobre Mortal Kombat e ler pra você as histórias que eu tirava da minha cabeça e escrevia, dizendo que um dia virariam livro. Mas na páscoa, você deixou a gente.

A vó chorou muito, e desde então, eu tenho tentado preencher o seu vazio pra ela. Apesar de saber que é impossível. Mas eu tento.
E cadê você pra poder dizer que vai ficar tudo bem? Pra me levar pra Calixto. Pra cantar Caetano pra eu dormir? 
São coisas que eu queria poder passar com você do meu lado.

Eu vou dizer agora o que eu queria ter dito na hora que pude. E não consegui dizer. Você foi o melhor homem que eu já conheci. Quero que saiba que sempre te sinto por perto, e que ninguém nunca vai preencher o seu lugar. Eu tenho um orgulho imenso de você, da sua história. Cada conquista que eu conseguir vou agradecer e dedicar a você. Um dia, espero te reencontrar. Nove anos já se passaram, mas não superei e nunca vou superar a sua morte. Segue em paz.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Você é um idiota


É toda aquela coisa de tentar te procurar em outras pessoas. Aprender a ficar sem as suas ligações no meio da noite. De entender que acabou. É toda aquela coisa de não ouvir a sua voz pelo menos três vezes ao dia. De não ter mais pra quem contar sobre o meu dia e os meus projetos.

É toda aquela coisa de tentar não tentar mais. De deixar pra lá. Esquecer.

Eu gosto de você. Eu gosto tanto e tanto. Não quero você longe – além dos quilômetros ,  eu não quero ninguém além de você rindo das minhas piadas sem graça e me chamando de boba por me achar desastrada demais.

É toda aquela coisa de dizer o que eu não quero dizer. De fazer o que eu não quero fazer. Mas que infelizmente precisa ser feito para o meu próprio bem.

É toda aquela coisa de precisar te ver com outra pessoa. Um alguém que vai poder ver sempre o seu sorriso e que vai poder te abraçar sempre que quiser.
Desculpa, eu não vou mais escrever sobre isso aqui.
Ai ai.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Da minha sorte pra sua



Coço a cabeça, aponto o lápis uma, duas, três vezes adiando o encontro entre papel e caneta, mágoa e soluços, você e eu, minhas ideias e a perda de tempo.

Daí olho para o ventilador, penso na cor do teto e fico lembrando de algumas das suas histórias enquanto puxo alguns fios – de saudade – da coxa da minha cama. Você e eu, a gente poderia ter feito tudo diferente.
Pego outro caminho, ido pelo outro lado. Evitado.

Eu queria entender porque você só me confunde. Confundia. Porque agora você me colocou no seu pretérito imperfeito junto com todos os nossos encontros imaginários. E eu não gostei disso.

Só que você muda de ideia e se arrepende e isso vamos encarar, é uma merda.
Chega de jogar o dado pra decidir a sua vida. Chega de ficar se perguntando se a solução está ou não na alternativa a) ou b).
A vida não tem fórmula e infelizmente, pode ser difícil de ser vivida para uns, e bem fácil para outros. Aqueles que sabem sorrir, acho. Você não é um deles.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

2010 e Bruno


Noite passada eu tentei imaginar o vazio. Desde muito pequena tenho mania de pensar em algo genial e ir correndo escrever sobre isso. Não mudei nada. E aí começou aquela conversação maluca entre eu e o meu eu.
 Sentiu a pontuação maluca e a falta de revisão, Ló?
 Senti. Mas não ando muito boa pra escrever.
 Passar muito tempo longe faz isso. Mas vai, concentra aí.
 Você não acha que penso demais? – me vejo perguntando em voz alta.
 É.

Mas é tudo culpa do sono, ou da falta dele. Ainda não sei.

É só que estou fazendo a contabilidade desse ano que acabou, do primeiro namoro, das velhas e boas amizades, dos novos conhecidos, da seca de lágrimas. Estou tentando absorver como é se sentir no lugar do outro. Estou tentando entender porque, mesmo com saudade e tristeza, não consigo voltar a pensar no Bruno.

Estou tentando entender porque sou tão desastrada e porque falo tão sem pensar, também. Estou tentando alguma maneira de deixar esses posts menos tristes e mais parecidos com a verdadeira eu. Na realidade, eu estou tentando me permitir sorrir mais, bem mais.

Só que de verdade.

A vida pra mim, sempre foi dividida entre sorte e azar. Lohaine sempre rimou com má sorte, só que agora, AGORA, eu acho que estou tentando aceitar isso sem me deixar ser tão escrava desses dois opostos.

Eu ando pensando que toda essa inconstante comigo mesma tem me feito bem, só que de forma bastante oculta e esquisita. Eu não parei de gostar. Mesmo longe, mesmo tão assim. Eu preciso dele, sabe?

Mas deixa pra lá, porque ao mesmo tempo em que quero correr até você e te abraçar, quero estrangular o seu pescoço e te enterrar vivo por ser tão assim. Mas logo passa tudo isso.

A dor é chata, mas é camarada. Sem ela  e as dúvidas  esse balanço não ia estar acontecendo. E eu também não ia ter esse blog. Que, aliás, foi o melhor pedaço de projeto que 2010 poderia ter me trazido.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Acabou


No período de dois meses, cansada da vida, cansada de tudo relacionado ao amor, cansada de todos que conheço, cansada de tudo relacionado a ele, me mantive em uma manifestação estranha de sentimentos.

Todos que me conhecem bem, sabem que tenho uma mania estranha de falar comigo mesma e com personagens imaginários que eu mesma dou vida e invento. Tudo tirado da minha mente cheia de felostamina e esquisitice.

Pode parecer estranho, mas não foi grande surpresa levantar a cabeça do travesseiro e o ver sentado bem ali, na minha cama fumando um cigarro e me olhando com curiosidade.
 Por que você tá chorando?  ele perguntou.  Todo mundo te avisou que isso ia acontecer. Digo, sobre eu e você.
 Por que você fez isso? Por que você quis fazer isso?
 Não sei.
– Você tem que saber.
 Não sei. Acho que precisava de alguém – e dando um trago no cigarro – e você estava lá. E sei lá, você me tratava tão bem. Foi o que eu disse, naquele dia eu acordei apaixonado por você.
– Rá. Apaixonado. Até parece.

Naquela ocasião, eu podia não permitir que aquilo acontecesse. Ele era a parte lesada de mim, dos meus pensamentos conturbados, dos meus planos, de todo aquele ano.

 Você não entende. Eu sou só parte da sua consciência. Não sou ele de verdade. Eu sou um holograma criado pela sua mente. Não posso responder nada muito difícil, sabe como é, eu sirvo apenas para você não esquecer dele e tentar achar onde foi que os dois erraram nisso tudo.
 Tanto faz.
 Sabe, quando eu aparecia há uns meses atrás você costumava ficar mais feliz em me ver. E nossa, era legal ficar horas falando sobre os nossos planos e sobre o quanto nós íamos dar certo.
 Isso foi antes da gente, sabe como é.
 Terminar.
 Odeio essa palavra.  Por que a gente começou com tudo isso?
 Não sei. Não dá para explicar.
 Foi porque você quis. 
 Eu gostava de como a gente era no começo.
 E eu estraguei tudo.
 Acho que sim. Mas a culpa não é só sua.
 Eu não posso mais ficar aqui te esperando. 
 Eu estive pensando, talvez seja hora de você ir embora. Te deixar ir, sabe como é.
 Pra sempre?
 Não, talvez você possa aparecer de vez em quando. Para eu sentir um pouco de saudade.
 Pelo menos uma vez ao dia?
 Mais ou menos isso.
 É o que você quer?
 É o que vai me fazer bem. Você vai indo aos poucos.
 Você não vai mais escrever sobre mim?
 Não sei, acho que por um tempo, não.
 Você foi uma boa amiga.
 Você também.
Sinto que não há mais nada para ser dito. É agora.
 Então, acho que é hora de você ir embora.   Então, é isso. 
 Até qualquer hora.
E simples assim, eu o deixei ir.